Poesia

Genealogia


Das velhas anotações, de tempos fenecidos,

Copio, com carinho, o que me foi legado

Por irmãos, pais, avós, tios e primos queridos,

Dos quais nada mais há que um retrato apagado.




Se, automaticamente, os dedos vão e vêm,

O pensamento não: esse voa em vertigem,

Ao sabor do que diz uma data que alguém

Rabiscou, sem saber, que eram marcas, origem,




Para a gente lembrar fatos, coisas, lugares...

"E os rostos, bom Jesus?! E os sóis? E os luares?

E a fogueira no chão da cozinha de terra?..."




E os dedos vão e vêm... E o pensamento erra

Pelo tempo que foi e que volta na idade

Com sabor de canção, nos braços da saudade!.




Sorocaba, 27 de agosto de 1.976.

Afonso Celso de Oliveira